quinta-feira, 5 de maio de 2011

TENHO OBSERVADO

Sou uma pessoa muito curiosa, adoro visitar centros e terreiros, mas não vou lá para ser reverenciado como dirigente, na verdade na maioria das vezes passo despercebido.

Sou também um estudioso da Umbanda, sempre que ouço falar de algo que não conheço vou à procura da resposta, tento de todas as forma conseguir esta informação, e por ser um estudioso ou diria um curioso, criei o habito de observar, mas não observar no intuito de sair depois falando, e sim para conhecer, aprender sobre formas e rituais umbandistas diversos, mas tem uma coisa que tenho visto muitas vezes e tem me incomodado muito:

Por que existe tanta submissão dentro dos terreiros?

Por que entidades ditas “de Luz”, quase escravizam médiuns?

Por que muitos médiuns são humilhados e/ou ameaçados por “entidades” muitas vezes publicamente?

Eu tenho uma teoria: São os médiuns, geralmente dirigentes de casas, que fazem de suas entidades “reis ou rainhas”.

Eu pergunto: qual a necessidade de um Exu dito guardião ter três cambonos, um para segurar seu copo de Wisky (importado diga-se de passagem), outro para segurar o pano onde ele limpa a mão e a boca e outro para segurar seu cinzeiro?

Tenho certeza de uma coisa e uma duvida sobre outra:

A certeza é que isto é vaidade do médium, a duvida é se ele realmente estaria vibrado por um verdadeiro Guardião ou por um Kiumba zombeteiro?

Vi muitas vezes , preto velhos entidades que representam a Humildade e a sabedoria da Umbanda, exigindo desde a marca do fumo para seu cachimbo até o tipo de vinho e sua procedência .

Quero fazer um alerta (quem sou eu para ter esta pretensão, mas mesmo assim vou adiante) para médiuns e dirigentes.

Aos médiuns:

Tomem cuidados com a vaidade e a soberba, sempre que tiver a “intuição” ou que alguma entidade “pedir” algo de material, pense, reflita se isto não é coisa sua, se não é você que quer isto. Cuide para que todas as “entidades” que trabalham com você sejam educadas e respeitem a todos, pois nenhuma entidade deve vir a um terreiro demonstrando arrogância e desrespeito, se isto acontece algo esta errado. Outra coisa não existe entidade mais ou menos “forte” que a outra, existe sim entidades com mais experiência, e médiuns mais firmes, formas diferentes de atuação mesmo em entidades de uma mesma falange.

Aos Dirigentes:

Lembrem que são vocês os responsáveis por tudo que ocorre numa casa, fiquem atentos a “seus filhos” de corrente para ajudá-los a corrigir certos deslizes, tratem a todos com igualdade, num terreiro não pode haver tratamento diferenciado entre os médiuns.

E o mais importante, vocês são exemplos dentro de suas casas, então procurem ser exemplos positivos, e não pratiquem o ditado do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço", ao contrario dêem o bom exemplo para que todos façam o que você faz...

Marco Boeing – ASSEMA/ Curitiba

3 comentários:

Edu disse...

Parabéns pela clareza, seriedade e serenidade do artigo. Como é bom saber que existem pessoas bem intencionadas e "jogando limpo".
Avante !
Sucesso! Saúde! Sorte!
eduardo gabardo

NELSON disse...

Muito interessante esse comentário a respeito das necessidades do médium e não do guia. Também, um dos maiores percalços que um médium enfrenta é o seu próprio egoísmo, sua própria vaidade. A vaidade é o primeiro e principal passo para a desconectividade do médium com seu guia ou guias. Do outro lado não existe nada disso e somente o bem e o mal. Entre o trabalho para a Luz e o trabalho para às trevas. E só... O resto é realmente um aspecto do médium.
Muito bem colocado esse comentário...

Aramin'art disse...

Muito boa observação painho!
Parabéns pelos textos, pelas observações e pelo trabalho sério que realiza como sacerdote.
Grande abraço dos seus filhos baianos,
Thai e Uéder.